AROUCA – Turismo Sustentável?

por fmr em 30 de Janeiro de 2010

Sustentabilidade tornou-se um conceito, um termo recorrente quando se fala de desenvolvimento, planeamento e gestão turística. Na nossa Terra vamos assistindo a essa moda, que tem servido para classificar e justificar iniciativas locais do municipio ou de instituições público-privadas que em parcerias com a Câmara Municipal de Arouca, vão intervindo no território na área do ambiente, do património e do turismo, mas sempre numa lógica de animação e de programação de actividades turísticas. Sempre a juzante da estrutura ecológica que dá suporte à actividade turística.
Ao pensar o Turismo em Arouca, não nos podemos esquecer dos contributos do Relatório Brutland e dos contributos decisivos dos Encontros da Terra, no Rio de Janeiro em 1992, que estabeleceram um marco para a sustentabilidade, na forma de grandes acções estratégicas conhecida como AGENDA 21.
Neste contexto, o Turismo tem estado sob a luz dos holofotes da sustentabilidade porque a sua produção e consumo tendem a ter lugar em áreas onde os recursos naturais ou materiais são frágreis. Onde o ambiente e a cultura são usados como componentes principais do produto e oferta turística.
A partir, desta premissa, o Relatório Brutland (1987) definiu a sustentabilidade, como sendo “o atendimento das necessidades das gerações actuais, sem comprometer as gerações vindouras no acesso aos recursos naturais indispensáveis à qualidade de vida”.
Ao ter esta premissa como basica e indispensável ao desenvolvimento sustentável de uma sociedade, de uma comunidade e de um território. É sem duvida alguma, necessário e urgente identificar e ter presente que:
a) é necessário ter em conta uma abordagem holística para o planeamento e estratégia de gestão;
b) proteger o ambiente (biodiversidade) e a herança cultural;
c) preservar os processos ecológicos essenciais;
d) facilitar e promover a participação das pessoas;
e) assegurar que a produtividade possa ser sustentada numa lógica de longo alcance; e
f) permitir um melhor nível de equidade e de oportunidades entre diferentes países.

Estes princípios quando monitorizados e sujeitos a um diagnóstico de qualidade, denunciam como a hipocrisia tem acompanhado as instituições responsaveis pela aplicação e imposição destes principios fundamentais a um melhor planeta e a uma melhor e mais bonita Terra.
Em Arouca a hipocrísia política também tem sido o apanásio da intervenção autárquica no ambiente e no desenvolvimento concelhio. Mas, na realidade a situação é anacrónica e contraditória, se por um lado se fala em ambiente e sustentabilidade, as medidas propostas e as acções no terreno desmentem essa oratória política. No fundo, temos um discurso político ambientalista e uma acção política pouco ou nada amiga do ambiente e da sustentabilidade.
Vejamos, por exemplo algumas intervenções camarárias que colocam em causa o ambiente e a sustentabilidade do território concelhio:
1. a construção de equipamentos públicos em cima da reserva agrícola nacional, isto é, em zonas de solos agrícolas de classe A. É o caso do Pólo Escolar do Burgo;
Supermercados com autorização desta Câmara, Presidente e Vereação; estas situações colocam em causa o futuro e a qualidade de vida das novas gerações.
2.a concessão de estatutos de utilidade pública a algumas entidades privadas que podem conduzir a situações de grande complexidade futura na intervençao e na gestão ambiental;
3.a construção de praias fluviais sem se garantir a montante a qualidade do corredor ecológico e a qualidade da água. O Exemplo, muito grave de poluição dos rios Paiva, Paivó(a Este do concelho) e Arda ( a Oeste). Neste contexto, o Rio Paiva conta com 6 praias fluviais e 3 locais de prática de rafting, localizadas nos meandros que este rio apresenta. Sobre a qualidade da água do Rio Paiva o Relatório do PDM sobre Recursos Hídricos – Relatório Preliminar, (Abril/2000) afirma que «é de salientar a poluição ocorrente no Rio Paiva…Conforme já foi referido no capítulo da Qualidade da Água o Rio Paiva apresenta alguma poluição doméstica resultante das descargas indevidas e/ou não controladas de povoações a montante, nomeadamente Castro Daire»;
4. a aprovação de um PDM (Plano Director Municipal) em baixa densidade, que coloca sériamente em causa todo o modelo de sustentabilidade ambiental, ecológica e social do concelho de Arouca. Este sim, tem um rosto e um actor o actual Presidente de Câmara socialista, Engº Artur Neves. Esta sim será a principal causa de insustentabilidade do território arouquense. Patrocinada por uma Assembleia pouco ou nada consciente desta grave decisão. Pois, coloca em causa a qualidade de vida, do emprego e do ambiente em Arouca.

Enfim, torna-se urgente uma intervenção sensata e equilibrada no território e no ambiente de forma a devolver a Arouca um equilibrio ecológico que durante décadas de má gestão colocaram em causa a qualidade de vida de todos os arouquenses.
Os recursos locais são sem duvida fundamentais à qualidade de vida, ao desenvolvimento, à criação de emprego e ao progresso das sociedades. Assim, segundo os defensores do desenvolvimento sustentável, podemos categorizar os recuros em quatro tipos de reserva de capital:
1.Humano – a população, o bem-estar, a saúde, a força do trabalho, a base educacional e técnica;
2.Físico – capital produtivo, como maquinaria, equipamentos e construções;
3.Ambiental – recursos naturais e materiais, a biodiversidade;
4.Sociocultural – qualidade de vida, coesão social, fortalecimento, equidade, herança cultural.
Enfim, como podemos facilmente comprovar que o Turismo não é uma actividade que se enquadre facilmente num conceito de sustentabilidade. Claro que, uma coisa é o Turismo Internacional, de massas, de mercado ávido de consumir recursos ambientais e naturais e outra coisa, é o Turismo de Natureza, de pequena e média escala. Mas, mesmo aí, as duvidas são uma constante e os riscos também estão presentes. Em Arouca pensamos que não tem havido uma séria e profunda discussão do tema e a sua monitorização de forma a avaliar os impactos negativos da actividade turística no concelho e da necessidade de se estruturar a sua organizaçao e planificação noutros moldes e modelos mais amigos da Natureza e do Ambiente.

do fmr

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1 Jorge Amorim 31 de Janeiro de 2010 ás 20:48

Sob o PDM, não me vou pronunciar, mas é sem duvida marcante no traçado e desenvolvimento de uma qualquer região, e importa-nos aqui a nossa. Um PDM é estruturante. Ponto.

Quanto à sustentabilidade e aos 4 recursos de reserva de capital apresentados na parte final do texto, é que nada se pode garantir numa sociedade, e que esta se consiga manter autónoma, sem uma ou algumas actividades que a sustenham, que pesem com sapiência os recursos Humanos, Físicos, ambientais e sócio-culturais.
Portanto com a devida ponderação, mantenho a minha ideia de possibilidades de desenvolvimento das actividades de turismo como base sustentável à sociedade Arouquense.
Não conhecendo o PDM em pormenor e não tendo assistido à sua discussão, não me atrevo a comentar se este vai ou não ao encontro das ideias por mim basicamente defendidas.

Abraço

Jorge Amorim

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2 fmr 1 de Fevereiro de 2010 ás 15:17

Caro Jorge Amorim,
Sem duvida que é por aí que temos que definir as nossas estratégias.
Em relação ao PDM de Arouca, estamos perante um documento estratégico que devia ter sido elaborado com outra lógica e outro sentido de visão política mais global e inteligente. Na realidade estamos perante um documento mediocre, inutil, politicamente preverso e técnicamente desajustado da nossa realidade. Um documento que se quer aberto, transversal e sustentável. O que na realidade não se comprova. Este PDM é o espelho da nossa classe politica, que governa Arouca à mais de uma década. Tem o beneficio do ex-presidente Armando Zola e a marca do actual presidente, Artur Neves… Reflete uma forma de fazer política absolutamente anacrónica e contraditória, própria de um concelho rural, descentrado e periférico aos centros urbanos do litoral, com uma população envelhecida, mal formada, dependente de um Estado Local assistencialista, que promove a miséria e a mediocridade de forma a capitalizar votos e desta forma ganhar eleições. Estratégia em rede de conservar e ampliar os poderes dos politicos que estão no poder. Não para governar, não para organizar de forma sustentada o nosso futuro, mas para conservar os tachos e as benesses da política profissional. É uma espécie de cancro sociopolítico que mata a essencia da democracia e da república.

um abraço do
fmr

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