O poder local português vive numa espécie de reino da fantasia, onde tudo é possível e legítimo. As actividades políticas deixam de ter um sentido de utilidade e bem público e transformam-se num jogo de interesses e de cumplicidades pouco construtivas.
No sentido de uma democracia adulta, responsável e sociológicamente pedagógica. A gestão política local estrutura-se e organiza-se em função de uma consolidação e ampliação do poder local, através da manipulação dos eleitores mais vulneráveis e economicamente mais desprotegidos.
As redes e os caciquismos estruturam-se de forma silenciosa ou mesmo de forma violenta, através de instrumentos que condicionam as pessoas, as famílias e as corporações locais. Estas redes clientelísticas funcionam de forma pragmática na conservação e na ampliação dos poderes locais, condicionando e instrumentalizando o voto à boca das urnas. São visitas a Fátima na companhia da Exma Vereação e respectivo Presidente de Câmara. São passeios de barco em pleno Douro, seguido de jantar na Residencial da Vila até às tantas da noite. Tudo em nome do progresso e da qualidade de vida das pessoas, isto é, dos eleitores.Uma forma simples e mecânica de angariar votos e eleitores. Uma espécie de economia directa, de troca de mimos por votos. Um sistema de trocas, entre uma oferta e um compromisso futuro.
A partir daqui, podemos desenrolar um filme muito pouco democrático da vida local arouquense. A manipulação, a demagogia e o populismo estão à vista de todos. Tudo serve para conservar e ampliar as redes do poder. E consequentemente as benesses materiais e económicas dos cargos políticos que se ocupam na gestão autárquica. Não existe um pingo de vergonha, de seriedade, de respeito pelos valores democráticos.
A vida política transformou-se num circo romano. Onde tudo é possível e onde tudo pode ser feito e instrumentalizado em função de vitórias políticas sem sentido de estado e de responsabilidade na gestão dos dinheiros públicos.
Os órgãos autárquicos transformaram-se em lugares de programação em “apoio social” e de “animação sócio-cultural”, ao serviço da demagogia e do populismo fácil. Onde eleitos sem escrupulos e sem sentido de estado utilizam os recursos do estado de forma efémera e consumista. Delapidando os cofres do Estado em Festas de Estadão, sem sentido e sem fundamento possível que as justifique.
Estamos perante uma crise de valores, que coloca o acessório e o consumismo à frente das necessidades estruturais da nossa sociedade, tais como, a criação de emprego, de saúde, de educação e de qualidade de vida.
Hoje, o país vive uma das mais violentas e profundas crises financeiras e económicas destes últimos 80 anos, que se traduz numa situação de ruptura social e política. O desemprego a subir de forma muito preocupante, com cenários de ruptura social à vista, com o défice externo (corrente + capital) situado em 10,5 do PIB e com a dívida externa líquida a cerca de 100% do PIB em 2008. Um regime político em crise de valores e de princípios. Os partidos transformaram-se em clubes privados, dominados por oligarquias mediocratizadas. Será que os políticos e os nossos autarcas têm legitimidade para esbanjar dinheiro em passeios e jantaradas sem sentido e sem fundamento.
Com que direito o Sr. Presidente de Junta de Freguesia de Arouca esbanja os dinheiros públicos em festas e jantaradas. Onde está o sentido de responsabilidade cívica na gestão local?!
Com que mandato e com que fundamento político?! Quando no país se passa fome, se luta por um emprego, se sofre silenciosamente em consequência de anos e anos de irresponsabilidade política na gestão dos bens e capitais públicos. A nossa juventude luta de forma angustiante na procura de emprego, os nossos homens e mulheres emigram à procura de emprego, deixando na nossa terra mulheres e filhos . Perante, este cenário de pobreza social e económica as nossas oligarquias políticas continuam a funcionar de forma irracional, transformando a política num instrumento de caça ao voto.
O sentido de estado e a noção de bem público deram lugar a uma lógica propagandística e folclórica de fazer política. Será caso para concluirmos com a expressão popular de que “com papas e bolos se enganam os tolos“?! Até quando, Senhor…?!
FMR
{ 1 comentário… lê abaixo ou adiciona }
O titulo foi bem escolhido…. “CIRCO”.
Gostei do sentido de humor.
PV.